Estudo de Caso 01: Escorregão na Travessia Petrópolis Teresópolis


Representação criada por IA – este não é um registro real.
Representação criada por IA – este não é um registro real.

Estudo de Caso 01: Escorregão na Travessia Petrópolis Teresópolis

Estudo de Caso 01: Escorregão na Travessia Petrópolis Teresópolis

Por Maicon Rocha
Agosto, 2025

Observação: Este é um caso fictício, com personagens também fictícios, criado com a ajuda de IA e com a curadoria de um profissional qualificado, certificado em WFR. Este estudo pode ser usado para a antecipação de riscos. Essa prática é uma das formas mais eficazes de prevenir acidentes reais em ambientes de montanha.


O Cenário

Você e seu grupo estão na clássica Travessia Petrópolis x Teresópolis, curtindo o visual do Vale da Morte, a caminho do Abrigo 4. O clima muda rápido: neblina fecha, vento frio aumenta e as lajes de pedra ficam bem escorregadias.

Na descida de um trecho íngreme (o Mergulho), um dos integrantes perde a aderência da bota, escorrega e cai cerca de 3 metros. Ao chegar até ele, você percebe que está consciente, mas com muita dor. Você pega o kit de primeiros socorros, coloca as luvas e se prepara para agir.


Relatório SOAP

Subjetivo (S): 

Homem, 32 anos. Queixa principal: dor intensa no tornozelo direito. Mecanismo de trauma: escorregão em laje de pedra, queda de 3 metros. Paciente orientado no tempo, espaço, pessoa e situação (A+Ox4).

Objetivo (O):

  • Deformidade visível no tornozelo direito, com inchaço rápido e dor ao mínimo movimento.

  • Escoriações superficiais em braços e mãos.

  • Sem queixas de dor na coluna ou na cabeça.

  • Circulação, sensibilidade e movimento preservados nos demais membros.

Sinais vitais (SV):

  • Horário: 15h

  • Estado de consciência: A+Ox4

  • Frequência cardíaca: 94, forte e regular

  • Frequência respiratória: 20, regular

  • Pele: rosada, quente, seca

  • Pulso radial presente

  • Pupilas: isocóricas e fotorreagentes

Histórico (H):

  • Sintomas: dor e dificuldade de movimento no tornozelo direito.

  • Alergias: nenhuma conhecida.

  • Medicações: não utiliza.

  • Histórico: sem condições prévias.

  • Alimentação e hidratação: café da manhã completo + 1 litro de água ingerido. Urina normal.

  • Eventos: escorregou em laje molhada, bateu o pé ao cair.


📍 Agora pare de ler!
Imagine que você é o socorrista. O que faria nesse caso? Pense na sua avaliação, nos recursos que teria em mãos e no plano de evacuação.


Avaliação (A)

  • Provável fratura de tornozelo direito.

  • Paciente estável, sem sinais de trauma craniano ou lesão de coluna.


Plano (P)

  • Realizar avaliação detalhada da coluna para descartar lesão espinhal.

  • Imobilizar o tornozelo com talas improvisadas (isolante térmico, bastões de caminhada, bandagens).

  • Monitorar sinais vitais e manter paciente aquecido para evitar hipotermia.

  • Redistribuir cargas do grupo.

  • Avaliar evacuação: seguir até o Abrigo do Sino (mais próximo) para facilitar a comunicação e possível resgate.

Problemas antecipados:

  • Dificuldade de deslocamento em terreno técnico.

  • Risco de queda de temperatura e hipotermia.

  • Necessidade de resgate organizado pelo parque.


O que aconteceu?

Após descartar lesão de coluna, o grupo improvisou uma tala com isolante térmico dobrado, dois bastões de trekking e bandagens, garantindo estabilidade. As escoriações foram higienizadas e cobertas.

Com apoio de dois integrantes e carga redistribuída, o paciente conseguiu chegar lentamente ao Abrigo do Sino. Lá, a equipe conseguiu contato com o parque e acionou resgate, que ocorreu no dia seguinte. No hospital em Teresópolis, confirmou-se fratura de tornozelo.


Comentários

Esse caso fictício mostra como um acidente simples pode se tornar um grande desafio na Serra dos Órgãos.

  • Terreno técnico + clima instável = alto risco de acidentes.

  • O kit de primeiros socorros e as técnicas de improviso foram fundamentais.

  • A decisão correta de buscar abrigo, em vez de acampar no local, reduziu os riscos.

Antecipar riscos é a melhor forma de prevenir acidentes.
Treinar cenários como este ajuda a manter a mente preparada e o grupo mais seguro em expedições reais.


Sobre Maicon Rocha

Sou montanhista há mais de 17 anos e atuo como guia profissional há mais de 10 anos na Serra dos Órgãos. Tenho certificação internacional em Wilderness First Responder (WFR) pela NOLS, referência mundial em medicina de áreas remotas.

Este estudo de caso foi inspirado nas séries de estudos de caso da própria NOLS (link aqui), mas adaptado para a realidade brasileira e, em especial, para o contexto da Travessia Petrópolis x Teresópolis.

Esse é o primeiro de uma série: meu objetivo é publicar pelo menos um novo estudo de caso por mês, sempre trazendo situações fictícias que funcionam como antecipação de riscos, a melhor forma de evitar acidentes reais na montanha. Continue acompanhando e se aperfeiçoando.


Bernard Monken | 22/08/2025

Um senário difícil , por sorte a vítima estava consciente não tinha traumas . leves escoriações e a fratura no tornozelo , ainda bem que tinha outros ingredientes no grupo para redistribuir a carga , e auxiliar na locomoção,

1 - o guia responsável teria que ter colocado uma ancoragem nessa parte tendo em vista que tem grampos nesse local , ter no mínimo 2 guias ( senário difícil de ter ), 1 guia ficaria na parte de cima do mergulho, orientando a descida e o outro recepcionando a chegada.

2 - com corda , cadeirinha e mosquetão adequados .

3 - o guia responsável teria que ter verificado as condições climáticas. ( Sabendo que na montanha isso pode mudar a qualquer momento).

3 - difícil de ter 2 guias conduzindo , mais acho importante , devido a inúmeras situações que pode acontecer.


Larissa | 23/08/2025

Muito boas informações


Heron Guatiello | 25/08/2025

Espetacular essas suas dicas e reflexões. Funadmentais para quem procura aventuras individuais e em grupo.
Vou seguir a ler com calma essas dicas.
Obrigado!!!


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